domingo, 27 de abril de 2008

Temer ao Senhor XII


"Não farás injustiça no juízo, nem favorecendo o pobre, nem comprazendo ao grande; com justiça julgarás o teu próximo." Levítico 19:15

O foco de nosso texto de hoje é a justiça-injustiça. A formulação segue a estrutura do negativo: "Não farás injustiça..." Nada impede que façamos a formulação de modo positivo: Farás justiça. Este clamor e desejo profundos por justiça não são apenas manifestações de nosso tempo, mergulhado em um caudal de injustiças em suas multiformes manifestações.

O texto nos fala sobre igualdade, ou melhor, equanimidade, alertando para que não haja benefício a favor de alguém e, consequentemente, lesão ou prejuízo a outro. Percebamos que não se fala apenas em comprazer ao grande, mas, também, em favorecer o pobre. Este é um conceito interessante, pois normalmente nós julgamos que devemos privilegiar ou favorecer o menos abastado ou mais pobre, ou ao mais poderoso.

Ambos (grande ou pequeno) devem ser tratados em iguais condições e com a mesma distinção. A hipossuficiência (qualidade de alguém que está em situação inferiorizada em relação a outrem) é vista, em nosso direito, como elemento determinativo de certo privilégio ou de maior amparo pelo Estado-Juiz ao que dela é "portador". É claro que isto se faz necessário devido ao descumprimento do preceito contido neste versículo: não comprazer ao grande. Porque a tendência é privilegiar o grande, o pequeno deve ter este amparo do Estado.

Importante se faz notar que, embora o texto nos fale sobre juízo, a possibilidade de se cometer injustiça não se vincula apenas à esfera jurídico-legal. Nossa manifestação de juízo é constante e permanente no ambiente de nossas relações sociais e, frequentemente, nos vemos sob o imperativo de exercitarmos nossos julgamentos.

A absoluta objetividade e imparcialidade são ideais e seu alcance plenamente não é possível. No entanto, devemos (e podemos) nos empenhar para que sejamos o mais imparcial possível em nossas manifestações de juízo.

Procure ouvir com cuidado e atenção ambos os lados, analise todas as informações disponíveis, busque escutar pessoas que tenham conhecimento do fato e que evitam emitir juízo de valor sobre o mesmo, não se deixe "contaminar" pela avalanche de informação massificante. Estas, entre outras, são algumas medidas que nos ajudam a não fazermos injustiça e agirmos corretamente sem favorecer o pobre, ou comprazer ao rico, devido ao fato de se temer ao Senhor.

Deus nos abençoe.

Rev. Paulo Delage

domingo, 20 de abril de 2008

Temer ao Senhor XI


"Não oprimirás o teu próximo, nem o roubarás; a paga do jornaleiro não ficará contigo até pela manhã" Levítico 19:13

Continuamos a explorar este preciosíssimo e profundo capítulo das Escrituras Sagradas. Sua abrangência e riqueza são muito grandes e significativas.

O tema agora tratado no verso 13 é a relação do trabalho e do valor deste trabalho representado no justo pagamento ou salário. Pode parecer estranho que este tema esteja presente aqui neste contexto e nesta época, mas isto mostra o interesse e o cuidado de Deus com as relações inter-pessoais, inclusive com a questão do trabalhador.

A exploração do homem pelo homem remonta aos primórdios da civilização humana. Infelizmente esta relação sempre foi algo que fere nossa constituição como seres humanos. Uma das formas de exploração mais comum e, muitas vezes, justificada é a econômica, e isto na esfera da paga pelo trabalho realizado.

Vejam que o cuidado se manifesta até mesmo no fato de não reter a paga até o dia seguinte.
Trata-se de alimento, mantença, sustento. O trabalho é a moeda de troca daquele que dele depende e não tem o capital, nem a terra ou os meios de produção. Este retardamento do acerto poderia significar a fome de uma família, a inexistência de sustento para um lar.

Nós, cristãos, somos desafiados a vermos nossa responsabilidade quanto ao pagamento justo e
devido àqueles que contratamos. Não podemos reter com fraude (Tiago, 5:4) o salário dos que
laboram para nós e por nós.

Nosso capital não pode ser elemento de exercício de poder e exploração. Quando podemos pagar e sabemos que é justo pagar o que se tem que pagar e não fazemos, isto é pecado.

Darmos aumento salarial a um empregado para impedir que vá para outra empresa, é indicativo sério de que agíamos iniquamente, retendo fraudulentamente o que era devido pelo trabalho desenvolvido. Reconhecemos que ele merece mais do que recebe, podemos dar-lhe o aumento, mas não queremos dimunuir nosso lucro. Isto é uma forma de usura, cuja condenação está clara nas páginas da Bíblia.

“Digno é o trabalhador do seu salário”(I Tm.5:18) não é um princípio aplicável apenas ao trabalho religioso, mas a todo exercício laboral pelo qual alguém alcança seu sustento e o dos de sua casa.

Somos, como cristãos, chamados a este desafio em nossas relações de trabalho na condição de
“patrão”: não retermos injustamente os salários dos que para nós trabalham.

Deus nos abençoe.

Rev.Paulo Delage

Temer ao Senhor X


"Não furtareis, nem mentireis, nem usareis de falsidade cada um com o seu próximo;" Levítico
19:11
"Não oprimirás o teu próximo, nem o roubarás; a paga do jornaleiro não ficará contigo até pela
manhã" Levítico 19:13


Furtar (versículo 11) e roubar (versículo 13) são conceitos bem próximos. O que gera distinção entre ambos é que no primeiro inexiste a figura da violência, enquanto no segundo esta está presente.

Ressalvada esta diferença, ambos trazem consigo o elemento comum: subtrair para si ou para outrem coisa alheia móvel. Com este núcleo comum fica claro que, em ambas atitudes, existe a lesão do direito de um terceiro subtraído de seu bem.

Pode-se pensar que isto é apenas aplicável àqueles indivíduos que operam nas ruas assaltando os
cidadãos de bem ou subtraindo-lhes sorrateiramente os bens. Isto não é verdade.

Somos muitas vezes furtados e mesmo roubados em nossa dignidade e valores, quando sofremos violência de termos que pagar indenizações a pessoas que optaram por uma forma de vida contrária à estabelecida pelo Estado. Pessoas que mataram, feriram, roubaram, sequestraram e violentaram a muitos e que hoje temos que sustentar ou ajudar manter.

Por vezes somos nós os roubadores ou furtadores, inclusive do próprio Deus, que assim se expressa: “Vós me roubais nos dízimos e ofertas” (Ml.3:10). Constituimo-nos agentes desta forma de subtração daquilo que não nos pertence, mas do qual nos apossamos indevidamente.

O cristão é chamado a ser o exemplo (não gostamos disto e sempre queremos nos escusar) de conduta no contexto da sociedade onde se encontra inserido. Exige-se dele esta postura de integridade, e é confrontado quando não cumpre aquilo que dele se requer e espera neste assunto.

Posso discordar da amplitude demasiado excessiva de nosso catecismo, mas a transcrição da
pergunta 142 e sua resposta é de valor significativo neste ponto e concordo com ela: “Quais são
os pecados proibidos no oitavo mandamento?”
Resposta: “...o furto, o roubo, a receptação de
qualquer coisa furtada, tráfico fraudulento, pesos e medidas falsos, remoção de marcos de
propriedade, injustiça e infidelidade em contratos entre os homens...a opressão, a extorsão, a
usura...a acumulação de gêneros para encarecer o preço...”


Vivamos de tal modo a honrar ao Senhor nosso Deus, não cobiçando o que seja do próximo, evitando o sentimento da ganância que, por certo, nos conduzirá ao fim infausto do descumprimento de Sua Vontade para conosco.

Deus nos abençoe.

Rev. Paulo Delage

sábado, 12 de abril de 2008

Temer ao Senhor IX


"Não oprimirás o teu próximo, nem o roubarás; a paga do jornaleiro não ficará contigo até pela manhã." Levitico 19:13

Nosso texto prossegue em sua formidável e excepcional extensão e profundidade. O ponto focal agora é a opressão contra o próximo. Pode parecer estranho que isto esteja posto em um texto dirigido ao Povo de Deus, mas é muito apropriado, por que também em nosso meio pode existir este tipo de manifestação.

O contexto é direcionado para a questão da relação de trabalho (trataremos disto posteriormente), mas podemos distender este tema para vários aspectos e segmentos de nossa existência. Os textos bíblicos têm alta significação existencial e nos lançam no ambiente de nossas relações interpessoais, fazendo-nos ver a vontade do Senhor neste contexto.

O ato de oprimir está ligado à idéia de espremer, apertar, sufocar. Deste modo e nesta linha de entendimento os filhos podem ser oprimidos pelos pais ao serem sufocados em suas iniciativas por meio do desestímulo ou da depreciação verbal, rotulando-os e indigitando-os como “zero à esquerda”, “peso morto”, “traste”,etc.

É disto que Paulo fala ao escrever: “não irritar os filhos a ponto de matá-los”(Cl.3:21). Há, por sua vez, filhos que sufocam os pais com exigências sobre exigências além das possibilidades e os pressionam e chantageiam terrivelmente, fazendo-os sentirem-se responsáveis pela satisfação de todas as demandas e pedidos feitos, mesmo que estejam fora de suas capacidades.

A opressão encontra-se presente nas relações conjugais, onde o “sufocamento” do outro não é incomum, ou mesmo o “auto-sufocamento” gerado por postura imprópria do cônjuge. Não é incomun ouvirmos : “ Eu me senti sufocada(o) a vida inteira” ou “ eu não aguento mais , pois não posso nem respirar”. Relacionamentos opressivos que matam o outro, que impedem que o outro viceje , cresça, desabroche e floresça, não são tão raros como pensamos. A felicidade está baseada na condição de sufocamento do outro. Isto é forma doentia de viver e pecaminosa aos olhos do Senhor.

Sejamos cristãos compromissados com o Senhor, ao promover a relação sadia e proveitosa, para gerar saúde e vida e não fazendo adoecer e morrer por causa do jugo opressivo imposto ao outro por nosso egoismo, arrogância , vaidade e desamor.

Deus nos ajude a promovermos a liberdade e nunca a opressão.

Rev. Paulo Delage

Temer ao Senhor VIII


"nem jurareis falso pelo meu nome, pois profanaríeis o nome do vosso Deus. Eu sou o SENHOR." Levitico 19:12

Nosso profundíssimo texto nos remete agora ao tema do juramento. Nossos símbolos de fé (confissão de Westminstar e catecismos) nos falam sobre os juramentos. Estes não são de todo proibidos nas Escrituras, o próprio Deus se interpõe em juramento (jurando por Si mesmo), já que não há nada ou ninguém maior do que Ele pelo qual possa jurar. O texto nos alerta sobre o juramento falso e, ainda por cima, envolvendo o Nome do Senhor.

O juramento é uma forma de busca de comprovação de que aquilo que se diz é verdade. Claro é que não se deveria ter necessidade de juramento, pois bastaria a confiança na integridade e honestidade. Mas, estes valores não são, muitas das vezes, levados a sério pelas pessoas e mesmo os juramentos são desconsiderados face a tal desprezo pela integridade e credibilidade.

Há momentos na vida civil que demandam de nós juramentos e ou compromissos formais, tais como: serviço militar, exercício de uma profissão, juramentos ou votos no casamento, etc. Estes podem ser feitos e devem ser honrados.

A proibição diz respeito à leviandade do trato com o Nome do Senhor. Por qualquer coisa ou banalidade dizemos: “Juro por Deus”. Neste caso, pode não haver falsidade, mas ouça o que diz o texto: “nem profanareis”. Deste modo, ocorre uma profanação (“tomar o Nome do Senhor Deus em vão“) do Nome do Senhor, que significa o próprio Deus.

Assim, cuidemo-nos para não sermos apressados em estabelecer ou pronunciar juramentos envolvendo o Nome de Deus. Devemos ter conduta adequada e correta, de tal modo que nosso falar seja: “sim, sim; não,não”. Evitemos jurar; se o fizermos façamo-lo com consciência, sem profanarmos o Santo Nome do Senhor nosso Deus.

Deus nos abençoe.

Rev. Paulo Delage